A TV, os encantos da Natureza e as tradições dos homens

Míriam Duailibi



Em tempos de tantas notícias tristes sobre a destruição do meio ambiente, tanto desalento, a reedição da novela Pantanal da Rede Globo, 32 anos após sua primeira versão, nos traz a beleza da Natureza e a sonhada e perfeita simbiose entre o bioma, os seres humanos e os bichos.


Nas águas tranquilas do Pantanal sul-mato-grossense, a vida das personagens acontece de acordo com o ritmo das águas, lenta, sem pressa, entre as comitivas, a pesca, a caça, as rodas de viola e a contação de histórias.


A mãe que vira bicho para caçar e alimentar sua filha, o peão que hipnotiza os bois selvagens e depois é comido pela sucuri e se transmuta em velho quando sua sabedoria é necessária, são personagens extraídas das lendas e mitos de um Pantanal onde o binômio homem-natureza perdurou por anos, preservando a maior planície alagada do Planeta.


Os filhos daquelas terras nutriam profundo amor pela natureza e pelos animais, sem nunca terem estudado ecologia conheciam a capacidade de suporte do ecossistema, respeitavam suas raízes e cultivavam suas tradições.


Será que este Pantanal já não existe mais? Queimadas descontroladas, desmatamentos, poluição das águas com agrotóxico das lavouras plantadas nas cabeceiras dos rios que abastecem a planície assustam e destroem, pouco a pouco, o santuário natural.


No entanto, inúmeras experiências de conservação, repovoamento vegetal, conservação de espécies animais e vegetais nativas vem sendo implementadas pelos próprios pantaneiros conscientes da importância da preservação do ecossistema e de seu modo de vida e por instituições e ONGs nacionais e internacionais que reconhecem o valor do bioma e lutam para preservá-lo


Muitas fazendas, como forma de sobrevivência, se transformam em locais de turismo rural sustentável, onde os hospedes podem vivenciar as belezas e os encantos do Pantanal e a vida singela e pacífica de seus moradores, sem prejudicar o meio ambiente.


A novela Pantanal pode e deve contribuir para que a região atraia mais brasileiros e estrangeiros em busca da vida natural, simples e autêntica, gerando trabalho e renda para a região, sem destruição do ecossistema.


Um programa de TV mostra ao país uma linda experiencia de recuperação da natureza e das tradições promovida por descendentes e herdeiros das antigas fazendas de café no Vale do Paraíba. Locais em que o plantio massivo, sem os devidos cuidados ambientais, exauriu a terra e secou as águas.


Aos poucos, a região em decadência começa a ser restaurada. Reflorestamento com espécies nativas, técnicas agroecológicas, proteção de nascentes e eis que surgem densos bosques que protegem o cafezal de sombra, as águas renascem e jorram fortes e puras trazendo fertilidade ao solo, a fauna ressurge. É a vida voltando a operar seu milagre no vale.


As grande e luxuosas sedes se transformam em museus abertos à visitação pública, o casario restaurado se transforma em pousadas, cafés e restaurantes para receber os inúmeros visitantes, muitos dos quais optam por ali se instalar. Tradições como serenatas, folias de reis persistem e continuam a encantar e seduzir.


Trata-se de um Brasil profundo e bonito, onde se resiste à massificação, onde se luta pela preservação e recuperação dos ambientes naturais e construídos, e onde as tradições genuinamente brasileiras passam de geração a geração.

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