Aos que dizem que a Amazônia não precisa de proteção…

Miriam Duailibi

Quando cientistas e ambientalistas afirmam que a floresta Amazônica representa um terço das florestas tropicais do mundo, desempenhando papel imprescindível na manutenção de serviços ecológicos, muitas pessoas não compreendem do que se está falando e minimizam a importância da conservação da floresta, com afirmações tão extemporâneas como “o mundo todo devastou e agora nos acusam de destruir a floresta” ou “a Amazônia é brasileira, ninguém deve dar palpite, dela cuidam os brasileiros...”


Por desconhecimento ou má fé, se esquecem que é a Amazônia que regula o sistema climático global e espalha as chuvas para o sudeste e centro-oeste brasileiro, justamente onde se encontram as grandes produções agrícolas do nosso país. A região Amazônica concentra 20% da água doce do planeta; a manutenção de florestas em pé impede o assoreamento dos rios, protegendo a fauna aquática e garantindo a navegabilidade; a vegetação alta e fechada da Amazônia funciona como barreiras contra incêndios, não deixando que o fogo, que escapa de campos agrícolas e pastagens, se espalhe, mesmo nos meses de seca.


Os incêndios que temos visto nos últimos tempos derivam principalmente do desmatamento da vegetação nativa para exploração madeireira suprimindo as barreiras florestais e substituindo-as por vegetação facilmente inflamável como campos e monocultura. Aqueles que acham exagerados os clamores do mundo pela manutenção do bioma amazônico não percebem que a floresta amazônica contém mais da metade da biodiversidade do planeta. E que é desta biodiversidade que advém insumos essenciais para remédios, essências, combate às pragas e para o desenvolvimento da biotecnologia.

Também não parecem perceber, ou não se importam, que mais de 25 milhões de pessoas vivem na região e cerca de 400.000 famílias tiram seu sustento do extrativismo de produtos não madeireiros da floresta, ou seja, óleos, resinas, frutos e borracha. Assim, os recursos florestais trazem benefícios econômicos às populações locais, fixam a população a seu território de origem e melhoram sua qualidade de vida.

“Para que tanta terra para índio?”

Mais um engano que as pessoas que desconhecem os dados cometem. Apenas 13,8% do território brasileiro são delimitados aos índios que somam mais de 800.000 indivíduos divididos em 256 sociedades indígenas que falam 274 línguas. A Amazônia Legal abriga a maior parte dessas terras (são 424 áreas e 115.344.445 hectares) e povos dos quais dependem da floresta para perpetuar seu modo de vida e sua cultura.

É preciso lembrar que os povos indígenas são os principais guardiões da floresta, com seus segredos, mistérios e conhecimento das plantas e dos animais. As suas áreas são as mais bem conservadas em todo o país. Permitir que sejam invadidas pelos garimpeiros e/ou desmatadores ilegais significa condená-los a doenças, estupros, morte e a condenar seu território à degradação ambiental, sem nenhum ganho para o Brasil ou para os brasileiros.

Se todos os argumentos não bastam para ressaltar a importância da Amazônia, lembremos que a floresta Amazônica funciona como um grande sumidouro de carbono, o qual se encontra estocado nos tecidos vegetais. Quando a floresta é derrubada e queimada, este carbono é liberado para a atmosfera, o que contribui para o aumento da temperatura da Terra e para as perigosas mudanças climáticas. O desmatamento na Amazônia libera 200 milhões de toneladas de carbono por ano (2,2% do fluxo total global). Por outro lado, a Amazônia armazena em suas florestas o equivalente a uma década de emissões globais de carbono.


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