As eleições no Brasil e o tempo de promover adaptação do país às mudanças climáticas

Miriam Duailibi

As evidências dos efeitos do Aquecimento Global começam a atingir com força e indiscriminadamente todas as pessoas de todos os lugares do mundo, causando mortes, destruição da infraestrutura instalada, de safras agrícolas, morte de rebanhos, tempestades de areia, furacões, ciclones, enchentes, subida do nível dos mares e, consequentemente, migrações, desalojamento, mais carestia, maior insegurança alimentar, doenças e etc.


Há muitos anos este cenário já era anunciado pelos cientistas e ambientalistas, a rigor desde o início da década de 1990. O Instituto Ecoar, como outras instituições ambientalistas, trabalha com o tema desde os idos de 1996 buscando despertar a consciência da população sobre o fenômeno, propondo alternativas para a minimização da emissão de Gases de Efeito Estufa e sugerindo medidas de adaptação.


No entanto, a maioria dos governos e as grandes corporações fizeram ouvidos moucos ignorando as informações científicas e as evidências que já começavam a se mostrar.


O tempo passou, o modelo de desenvolvimento predatório e ilimitado continuou seu caminho, as emissões não diminuíram, os modelos climáticos foram ignorados e não se fizeram as medidas de adaptação necessárias à nova realidade de chuvas, ventos e seca.


Desde o início dos anos 2000, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina vem sendo considerados “hotspots” (áreas de extrema vulnerabilidade) para furacões e ciclones. Nada ou muito pouco se fez para preparar o território para essas eventualidades.


Recentemente vimos na tragédia de Petrópolis um exemplo explícito do descaso das autoridades e da população com as informações sobre a vulnerabilidade da área e a necessidade de remoção de reflorestamento das encostas de morro com remoção das habitações irregulares. O resultado foi trágico, como todos sabemos!


A sociedade em geral também não pode se eximir da responsabilidade pela inação frente ao aquecimento global e as mudanças climáticas. Muitos ainda persistem em um moda de vida irresponsável, mantendo hábitos e práticas de consumo, descarte, locomoção e moradia absolutamente insustentáveis.


As populações mais pobres são sempre as mais expostas, mas devemos nos dar conta que o tempo de não retorno se aproxima cada vez mais e que ninguém em lugar algum está livre das consequências das mudanças no clima.


As crises econômica, social e ambiental provocadas pelas enchentes, furacões e secas prolongadas atingem dramaticamente a economia e a organização social dos países, provocando guerras, conflitos, pauperização, doenças e até mesmo pandemias como a que ainda estamos vivendo.


É hora de mudar nossa vida pessoal, familiar e em sociedade. Devemos exigir das empresas e dos governos atitudes concretas para fazer a transição ecológica que o mundo requer para continuar existindo.


Estamos em tempo de eleições no Brasil. Devemos exigir que os candidatos sejam claros sobre as medidas concretas que irão tomar para preparar nosso país para a nova realidade climática.


Reflorestamento, proteção de áreas ainda florestadas, recuperação de nascentes, de matas ciliares, modelos de agricultura mais sustentáveis, eliminação definitiva de lixões, investimento massivo em energias limpas, substituição gradativa, porém rápida de frotas movidas a combustíveis fósseis, diminuição substancial do uso indiscriminado de agrotóxicos entre tantas outras medidas para tornar nosso território mais resiliente e sustentável.


Temos que fazer a nossa parte examinando com atenção os programas de governo e o comprometimento dos candidatos com a agenda ambiental. O nosso futuro, dos nossos filhos e netos depende das atitudes que serão tomadas nos próximos anos.


Vamos fazer a nossa parte!


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